Un ponto no horizonte

Um dia Pedro quis sair da praia onde estava. Era onde ele tinha vivido sua história, onde tinha seus amigos, família, segurança e paz. Ele pegou um barco grande, um saveiro, e saiu para o mar. Tinha um capitão nesse barco dizendo que não estaria só nessa viagem. Pedro, então, foi sem reservas, deixando tudo para trás.
No início, seus amigos o visitavam, o barco ainda não estava em alto mar, estava apenas dando uma volta naquela ilha. A distância era grande e as dificuldades foram se apresentando dia após dia. Mas Pedro queria sair daquela realidade e se aventurar em um mar desconhecido mesmo sabendo que poderia ser perigoso, pois já se conhecia as histórias.
O mar era equilibrado, alternavam-se os momentos de fúria e de bonança. Os ventos eram fortes. O problema foi o capitão, formado na teoria da escola naval mas que não tinha a experiência de pescador de Pedro, que desde o início mostrou suas condições:
- Pedro! Vou ouvir suas experiências mas sou eu que vou pilotar o timão. Se você quiser que venha comigo pois eu não erro.
Obviamente Pedro se sentiu tranqüilo e continuou no saveiro. Cataram músicas, contaram histórias, beberam bastante. Ele ainda avistava a ilha.
O mar estava calmo mas o vento estava forte. Pedro sugeriu que as velas fossem baixadas mas o capitão não deu ouvidos. Os mastros se quebraram e Pedro teve que consertar. E isso se repetiu diversas vezes em várias partes do barco. Pedro mostrava onde estava a comida mas o capitão falava que adiante teria ainda mais. Não tinha. Pedro teve que nadar até longe para pegar a comida. Mas ele ainda avistava a ilha.
Fez chuva e fez sol, Pedro que tinha muitas histórias para contar, muitos sonhos para concretizar, já não contava mais para o capitão pois ele dizia estar muito ocupado pilotando o barco. Pedro foi percebendo o quanto ele era inútil naquele barco e que estava apenas servindo de uma mera companhia daquele capitão eterno solitário. A ilha mostrava seu último contorno no horizonte. Pedro se jogou no mar com o que tinha em direção a ilha.
Pedro sabia nadar mas naquele momento o mar estava muito revolto e por muitas vezes se afogou, tentou voltar para o barco. O capitão vendo essas tentativas desviava seu caminho e não socorria Pedro que continuava afundando e sendo chacoalhado pelas ondas. O náufrago desmaiou. Inconsciente, fraco, vendo a morte chegar se apegou num pedaço de madeira que apareceu dos ventos e recuperou sua respiração.
O sol bateu forte sobre sua cabeça, mas ele encontrou outra madeira e se protegeu. Descansou, sentiu fome e sua experiência fez com que ele logo conseguisse comida. Depois de todas essas dificuldades ele olhou a sua volta e ainda avistava o barco, pelo menos agora a ilha dele estava mais próxima.
O barco ficou parado, Pedro foi se distanciando dele e se aproximando da ilha. Mas algumas vezes quando ele dormia o vento o levava até bater com a cabeça de volta a proa do barco. Ele acordava desesperado e nadava com força para se afastar. Ele se sentia num rodamoinho.
A cada dia ele sentia saudades das divertidas tardes no barco e sentia também saudade de seus amigos que tinha deixado para trás. A saudade dos amigos aumentava mais e mais. E era isso que o impulsionava para a ilha. Quando ele olhava para o barco que não queria mudar de rumo, ficava triste mas fazia querer voltar logo para casa.
A ilha continuava a mesma, sem novidades, alguns de seus amigos pescadores o avistaram no mar e foram ao seu encontro. O levaram até a praia mas Pedro estava tão cansado que queria apenas ficar ali parado e ser carregado. Poucos amigos o reconheceram prontamente. Pedro tinha saído dali há muitos anos e estava cabeludo e barbudo.
Quando acordou ele já estava na ilha onde ele sabia que encontraria a felicidade com seus amigos fazendo festa. E olhando para o mar percebeu que o barco ainda estava no mesmo lugar mas agora era apenas um ponto solitário no horizonte.

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