Se mudando
Mudar-se é muito ruim, principalmente quando você gostou da terra prometida que encontrou. Quando vem uma tempestade, inunda e, quando a água seca vemos os prejuizos. Essa é a hora em que temos que voltar lá, entrar na nossa casa, mesmo inconsoláveis, e pegar o que sobrou de volta.Não necessariamente acontece uma tempestade. Apenas descobrimos que a casa alugada em que estamos está cheia de vazamentos, paredes desestruturadas e o proprietário não parece se importar em querer consertar nada disso. E nessa hora que percebe-se que temos que nos mudar.
É doloroso, pois lá vivemos os melhores e mais marcantes momentos de nossas vidas. E depois de muita dor saímos daquela casa, moramos em hotéis, casa de amigos, parentes até encontrarmos um novo lugar para morar. A casa pode até ser melhor mas ainda não podemos chama-la de nossa casa.
Sempre que passamos por aquela rua, por aquela casa lembramos da vida e vemos os novos moradores que jamais vão saber como valorizar cada estalar de porta empenada, jamais identificar o som do chão de cada cômodo. E temos a convicção que, se a proprietária deixasse, reformaríamos tudo mas sem descaracterizar do original.
Por mais racional que seja a mudança, os laços afetivos sempre irão continuar e isso faz com que saibamos que estamos vivos e com o coração batendo forte por cada lembrança maravilhosa. Mas depois que mudaram o segredo da fechadura a chave pertence ao novo morador.
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