Admirável Mundo Novo
No livro Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley retrata uma sociedade teoricamente perfeita, onde as crianças são concebidas e geridas em laboratórios, a partir de linhas de produção artificiais, com um controle total sobre o desenvolvimento dos embriões pelos cientistas do Estado. Todos os indivíduos vivem felizes e satisfeitos, livres de sensações e vontades, garantindo assim essa “estabilidade social” plena. Tudo é controlado e erros não podem existir. Bem, esta sociedade “perfeita” se assemelha muito à nossa. Se pensarmos em temas como o uso e a dependência de medicamentos antidepressivos e de outras drogas para fugir dos problemas, a polêmica da clonagem humana, a monotonia da rotina do dia-a-dia dos trabalhadores, as questões éticas relacionadas aos avanços da Ciência e as extremas desigualdades de direitos entre as pessoas entre outros, constataremos o quão atualizado é o livro. Aqui, os Selvagens são os seres humanos, que sobrevivem numa espécie de “zoológico” representando tudo de mal que alguém pode fazer: pensar, questionar, sentir prazeres, manterem relações amorosas, familiares e religiosas.
Assim como em nossas sociedades, o mundo admirável de Hurley é dividido em castas (superiores e inferiores). Apesar de se tratar de uma ficção científica, a obra traz também um romance entre um selvagem (humano) e uma mulher desenvolvida em laboratório. Fica claro que o selvagem e a reserva onde mora é uma alegoria do mundo real. Os dois personagens representam o antagonismo entre a nova e a velha sociedades, os novos e os velhos padrões. Ela vive em uma sociedade formada por pessoas pré-programadas genética e psicologicamente para desempenhar um papel social, sem questionar ou desejar, nem mais nem menos, simplesmente ser o que lhe foi designado pelo Estado, mantenedor do bem-estar geral. O selvagem, por outro lado, vive em um mundo cheio dos antigos valores e costumes, dogmas e tradições.
Comentários